segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Editorial: doi dia 29/30 outubro de 2011


O interesse necessário
Nada nas nossas vidas foge à política. A nossa existência na sociedade, tendo como base todo o conjunto de sentimentos que permeiam as nossas relações, flertam profundamente com tal quesito. O filósofo grego Aristóteles afirmava que o homem é um animal político. Não temos dúvidas quanto a isso. Fazemos política o tempo todo, mesmo que inconscientemente. Na labuta diária em nossas ocupações, quando somos obrigados a negociar melhorias em nossos trabalhos, nos relacionamentos, nas universidades, etc. Nesses casos específicos, classificaremos política, como a nossa capacidade em ceder, reivindicar, colher benesses devido a possíveis concessões nossas, nos aliarmos a determinadas pessoas objetivando alguma vantagem, e por aí vai. Quem poderia afirmar que não é, ou que nunca agiu nos moldes políticos explicitados? Cremos que poucos, afinal de contas, a vida em sociedade, como afirmamos, é um fluir constante desses tipos de relações. Só que, vale ressaltar, existem formas distintas de conceber o que é de fato a tal política. E, infelizmente, na sua forma mais usual, muitos não querem nem saber se ela existe ou não.
Vejamos, na citada forma usual, entende-se como política a ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados, aplicação de tal aos negócios internos da nação ou aos negócios externos. Nos regimes democráticos, a ciência política é a atividade dos cidadãos que se ocupam dos assuntos públicos com seu voto ou com sua militância. O ex-presidente Lula, certa feita afirmou que as pessoas que não gostam de política são governadas por quem gosta. E não deixa de ser verdade isso. As pessoas que creem que a política, na forma mais usual que é concebida, é algo que não lhe diz respeito, estarão sempre sujeitos a serem coadjuvantes nos processos que as ornamenta. Seus desinteresses significa a alegria de muitos, que veem na política uma forma de subir na vida de maneira inescrupulosa. Poderíamos afirmar tranquilamente que o futuro do nosso país está justamente nas mãos daqueles que encaram a política como algo preciosamente importante.
Em nossa região, mais precisamente em Ilhéus, um debate de cunho político vem ganhando o interesse de jovens. Ponto mais do que positivo. Trata-se do Porto Sul, empreendimento de cunho genuinamente político e que vem suscitando debates e mobilizando estudantes, tanto os que são contra, como os que são a favor. É justamente assim que se constrói o futuro positivo de uma sociedade, com jovens participando ativamente dos debates, cobrando, exigindo, reivindicando, dando suas opiniões, e, principalmente, questionando o que nos é oferecido. E que o bom senso ilumine os anseios envolvidos e a grande beneficiada em todo esse processo seja de fato a sociedade.

Diário de Ilhéus edição do dia 29 e 30 de outubro 2011












Diário de Ilhéus edição do dia 28 de outubro 2011







quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Editorial:


Os partidários do atraso
Certa feita, inspirado certamente em suas divagações sobre a realidade que o cercava, o grande Willian Shakespeare afirmou: “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”.  O que o grande escritor inglês quis dizer quando proferiu tal célebre frase? Cada um entende do jeito que pode, nós, cremos que ele quis falar que nem tudo que existe já foi devidamente mensurado e identificado pelos olhares e sentidos infalíveis das ciências. Mas vamos além, e focaremos tal análise especificamente nos seres humanos. Será que o ser humano é capaz de nos surpreender, tendo como base um possível entendimento, ante a sua postura no dia a dia?  Não pestanejamos em afirmar que sim. Ninguém é tão previsível o bastante pra que não venha a tomar alguma atitude que surpreenda a todos, seja positiva ou negativa. A mente humana é um grande mistério a ser decifrado. E bota mistério nisso. Nenhuma ciência foi capaz de definir com precisão como os nossos cérebros processam idéias e pensamentos. É algo que foge à nossa compreensão. Um pacato bom samaritano, de um dia para o outro pode surpreender sua família com uma atitude inesperada, da mesma forma que um maluco convicto pode vir a se tornar uma pessoa centrada e confiável.
Mas enfim, como afirmamos, o ser humano tem a grande capacidade de nos surpreender cada vez mais. E em Ilhéus isso não vem fugindo a regra. Infelizmente. Graças a um grupo de pessoas que vem tomando posturas que a priori, desafiam o bom senso e flertam profundamente com a plena imbecilidade. É óbvio que cada um tem o livre arbítrio de defender e se posicionar a favor ou contra qualquer coisa que bem entender. Mas existem certas posturas que se evidenciam como altamente contraditórias e de fundamentação totalmente questionável. E um exemplo para isso é a mobilização que está havendo por parte de alguns supostos ilheenses, contra a instalação de uma loja de uma grande rede de supermercados no bairro do Pontal. Segundo tais pessoas, a presença do supermercado irá colocar em risco a tranqüilidade do local. Era o que faltava.
Vejamos, com grande constância nos utilizamos desse espaço para afirmarmos que Ilhéus necessita de vagas de emprego, que o tráfico de drogas segue recrutando cada vez mais jovens para o mau caminho, etc. E, pelo que nos consta, trabalhar, e viver dignamente é o que muitos desejam. Como meia dúzia de pessoas pode ousar ser contra a algo que no mínimo irá propiciar trabalho para muitos ilheenses? O que quer esse grupo de pessoas, explicitamente, sem muita noção? Querem que as pessoas sigam sem perspectivas de adentrarem no mercado de trabalho e sigam optando pelos caminhos da marginalidade? Será que se acham mais importante do que a grande parcela de pessoas pobres que vivem por aqui? Prestemos atenção nessas pessoas e que fiquemos atentos, pois, os seus caprichos podem representar grandes prejuízos para a cidade. Estamos de olho em vocês.

Diário de Ilhéus edição do dia 27 de outubro 2011








quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Editorial:


Desserviços públicos
O que se espera quando destinamos uma relevante quantia dos nossos parcos vencimentos para pagar por um serviço ou por um hipotético produto?  É mais do que óbvio que esperamos que ele atenda de maneira plenamente satisfatória os nossos anseios. Caso tenhamos adquirido um produto qualquer e ele venha com algum defeito de fabricação, a lei nos assegura que temos total direito de termos nosso dinheiro de volta, ou, caso queiramos, exigir que um outro exemplar nos seja disponibilizado. O que não pode é ficarmos no prejuízo. Aliás, existe um órgão específico para garantir aos consumidores justamente a devida orientação para que ele não seja lesado quando for comprar algo. Trata-se do Procon. E hoje em dia podemos tranquilamente afirmar que nós, meros consumidores, temos a lei do nosso lado, pelo menos no referido quesito. Salvo alguns poucos exemplos, não temos muitos problemas para fazer valer os nossos direitos. Mas, mesmo assim, ainda existem algumas espécies de serviços que ainda deixam muito a desejar. Em especial alguns que seguem sendo ofertados pelo Estado. Serviços esses, vale ressaltar, imprescindíveis e que caso não paguemos em dia, somos privados deles, e não tem argumentação.
Estamos nos referindo aos serviços de distribuição de energia elétrica e de abastecimento, que também inclui saneamento básico. Ninguém há de questionar que tratam-se de serviços indispensáveis, em especial para a grande parcela populacional que reside nos centros urbanos. Acontece que tais serviços são campeões em reclamações por parte dos seus milhares de usuários. Vejamos, nas nossas contas de água vem inclusas cobranças, além da quantidade de água que consumimos mensalmente, por um serviço de esgotamento sanitário. Acontece que, como desconfiamos que todos saibam, a grande maioria dos bairros da cidade não são contemplados com saneamento básico. Muito pelo contrário, são muitos onde o esgoto corre abertamente em meio à ruas e vielas, e quando chove, tal se mistura com a água da chuva e invade muitas residências. Ou seja, pagamos por algo que era para ser um serviço, mas os fatos nos evidenciam que trata-se de um verdadeiro desserviço. Pelo menos até que nos provem o contrário.
Em relação aos serviços oferecidos pela nossa querida Coelba, as coisas não mudam muito. Nessa última segunda-feira os ilheenses tiveram o desprazer de constatar mais uma vez que a combinação chuva intensa e energia elétrica parecem ser coisas antagônicas. Por três vezes, fortes explosões foram ouvidas da central de distribuição, seguida da falta de energia. Sem dúvidas, com esse incidente, muitas geladeiras, televisores e demais eletrodomésticos pifaram. Ou seja, caso os prejudicados resolvam recorrer, isso representará prejuízos para a companhia de eletricidade. Não seria mais vantajoso, ao invés de gastar todo esse dinheiro com esses concertos, investir na modernização do serviço, a ponto de evitar que toda vez que chova, explosões aconteçam e a energia pare de chegar nas residências? Pelo visto muita coisa ainda há de ser melhorada, ou então, faltará Procon para atender tamanha demanda de insatisfações.            

Diário de Ilhéus edição do dia 26 de outubro 2011